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Jesus Cristo é Amor

  • Foto do escritor: Jimi Aislan
    Jimi Aislan
  • 7 de jun.
  • 2 min de leitura

O primeiro soco doeu. O segundo, despertou uma dúvida: por que as pessoas que expressam violência contra os diferentes são incapazes de sentirem o mesmo ódio contra a violência em si? Há centenas de anos, a humanidade vem mudando seus paradigmas de credo, sexualidade, beleza, status, mas é incapaz de correlacionar que o modus operandi de se manter o velho paradigma é sempre o mesmo: violência.

Quando caí no chão, o chute veio forte, mas minhas perguntas tinham ritmo muito mais alucinante. Não percebi quando o pé foi trocado pelo cano de uma arma ou se desde o início eram coronhadas na cabeça. Talvez matar pessoas diferentes seja mais fácil que matar a ideia. O corpo cai, quebra, decompõe, já as ideias gostam de fantasias, elas fervilham, se reconectam e renascem com roupagem diferentes. Os formalistas russos chamavam de syuzhet a capacidade de dar novas vestes a temas diferentes. No final, é só a mesma ideia de liberdade que nasce da possibilidade de crer em algo diferente do dogma estabelecido; de se perceber como elemento não binário em um mundo monocromático; em se imaginar evoluindo para fora da caixa social que é formatada em tamanhos pré concebidos.

Quando a bala atravessou minha cabeça, um último pensamento se formou antes de desligar todas as sinapses, não sei se por memória da dor ou dor pela memória, não sei. Talvez estejamos todos numa monofatura de caixas sociais pré formatadas de ser e se adequar, mas quantos realmente são? Quantos se pertencem? Quantos cortam suas próprias raízes e limitam suas potencialidades para entrarem ajustados nesse grande caminhão de mudança que é a sociedade? A cada novo paradigma, um novo caminhão vai derrubando cargas que não se encaixam mais pelo caminho. Quantos precisam morrer até perceberem que o problema talvez seja o motorista ou os empilhadores? É uma viagem curta e a pergunta que deve ser feita não é sobre encaixe, é sobre por que ser diferente é tão nocivo. Odiar o diferente talvez seja se odiar por ser igual, somente para negar a liberdade que a tanto custo se aceitou perder para embarcar no caminhão. Ou talvez seja só uma forma simplista de dizer que todos estamos seguros dentro do caminhão e isso é fundamental. Mas estamos seguros de fato ou só estamos adormecidos até o final da viagem? Sempre gostei dos que pensam diferente, acho interessante descobrir métricas e novas palavras, novas cores, novos sons e cheiros. Em sentir que a vida está em constante movimento de construção e desconstrução. Com o corpo no chão, meus olhos acompanharam o caminhão voltar a rodar. No parachoque, pintada à mão, estava a frase que sempre norteou coração: "Jesus Cristo é amor".

 
 
 

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