Sobre a estranha arte de gostar de mulheres
- Jimi Aislan
- 25 de nov. de 2018
- 3 min de leitura

Gostar de mulheres. Vivemos uma época em que opiniões majoritárias podem ser açoitadas pela variedade de egos e empoderamento feminino ganha espaço a corte de facão. Contudo, uma certeza ganha da vida é que gostar de mulheres pode definir a sua personalidade. Quando digo mulher, lembro daquelas de verdade, sem produção em photoshop ou padronizadas em calendários e capas de revista. Falo daquelas em tempo integral, com estrias, enlouquecendo com as marcas do tempo no rosto. Autênticas, por se permitirem enfrentar sua precondição feminina. E quando se descobre o quanto é bom ser amante dessas particularidades, acaba-se por aceitar a incontestável verdade: mulheres são encantadoras.
Reconheço, há um lado punk no universo delas, afinal de contas mulher é o dobro de hormônios em um espaço bem mais reduzido que nos homens. Contrastes ampliados por calendários lunares, TPM e que não se encerram no tempo. Esqueça o estereótipo de Amélia, mulher verdadeira é muito mais que multitarefas é multisentimentos, e compreende sua felicidade dando forma a todos eles. Da mãe, que cuida da casa depois de dois turnos de trabalho, à independente, aguerrida na carreira repudiando o machismo social. O que torna uma mulher livre não são apenas suas escolhas, mas também as atitudes diante delas. Ser mulher, não se resume em aceitar situações adversas, e ultrapassa o sentido da palavra altruísta.
Mulher em essência é alma. O corpo pertence ao processo natural e cuidar dele faz parte da manutenção do ciclo da vida. Por isso dizem “beleza é um estado de espírito”. Nós homens não compreendemos muito bem isso porque está além. São formas que merecem nosso cuidado, porque tudo nelas é momento. E há momentos especiais e raros.
Como é lindo ver uma mulher que sabe gozar, consigo mesma, com um cara ou uma mulher, não importa. O limite do prazer não está contido apenas no sexo e, diferente do homem, elas se arrepiam com uma passada de mão no cabelo, olhada de admiração, um bom livro e até com música. Sem contar com o bom e velho chocolate. Aliás, sobre sexo, confesso tristeza em ouvir o ditado “mulher tem que ser puta na cama e donzela na sociedade”. Sexo e cama são assuntos privados, intimidades que não precisam ser relatadas por meninos e adolescentes (às vezes púberes com mais de 50 anos!) no meio social, muito menos grupos digitais. O que uma mulher é, e volto às atitudes, pertence a ela e a seus eleitos. Puta, dama, mãe, filha, tanto faz, porque a beleza está na postura de ser feminina, até mesmo em situações mais extremas.
Sobre essa estranha arte de gostar de mulheres, aprende-se com o tempo que maquiagem não esconde o que elas são, mas ajuda a revelar. Roupas não são consumo, mas projeção de sentimentos. Segura de si, é capaz de transformar uma sociedade inteira, tamanha força contida. Triste mesmo é ver meninas tendo o espírito quebrado por homens que se sentem garotos perto de uma mulher. Leoni que me desculpe, mas perto de uma mulher temos que ser homens. A autoconfiança não é uma ameaça, mas uma sedução. É digno de pena, ver a limitação masculina diante de uma pseudocompetição. Namorar com mulheres que ganham um salário maior não é demérito. Na verdade, isso não tem nada a ver com o homem em si ou sua limitação, mas sim com oportunidades que elas abraçaram, suas carreiras, e a maioria das vezes, a exaustiva dedicação feminina. Nesse lance de envolvimento profissional ainda nos falta muito para igualarmos.
Aos iniciados na arte de gostar de mulheres, indico uma máxima: carinho e respeito são fundamentais. Não temam as irregularidades sociais de uma mulher verdadeira. Ela é instinto, e isso a faz mais livre, e isso a faz mais sincera, e isso a faz mais mulher. Se tiverem que fugir do gênero, que seja da candura das mocinhas adaptáveis, das Helenas de Manoel Carlos e não das Capitus que a vida nos apresenta. Mulher com olhos de ressaca em dia de mar bravo não nos afunda, pelo contrário, é capaz de levar aonde o mar tem mais encantos e as ondas são maiores. A vida tem muito mais graça com essa agitação feminina. Não se deixem enganar pelos estereótipos sociais. Não há prazer em conquistar uma mulher para ser só sua, o nome disso é relacionamento abusivo. Se quiser ser feliz mesmo, permita-se caminhar ao lado de uma mulher livre, apoie nos dias de baixa e aprecie a inspiração nos dias de alta. Gostar de mulher não é um sentimento de superioridade, mas sim de contemplação e afeto. No instante em que se aprende isso, perde-se a vaidade da conquista e inicia-se um riso bobo de admiração.



Comentários