top of page

A essência de uma fêmea alfa

  • Foto do escritor: Jimi Aislan
    Jimi Aislan
  • 10 de fev. de 2019
  • 3 min de leitura


Ela sempre foi uma fêmea alfa. Desde pequena se pode notar. Simples de reconhecer. Aos 5 anos já organizava as brincadeiras na escola e colocava os outros colegas em fila. E chegará aos 80 sendo matriarca da família. Aquela vozinha que pisca o olho com cara acalentadora e diz: põem mais um pouco de sal minha filha, vida sem tempero nem cachorro quer?!

Simples no jeito de ser. Prática. Curte uma carreira solo e seu espaço não é negociável. Tem seu próprio tempo. Pela postura, julgam que sua feminilidade parece uma simples inquilina que tirou férias, e sempre volta quando a tpm se aproxima. Algumas vezes multipolar, mas em se tratando do dia a dia, sua bipolaridade fica claramente dividida entre a manutenção da independência e o desejo de encontrar alguém que a cuide. Toda alfa em essência cuida e gostaria de ser cuidada, só é meio desajeitada para receber carinhos e elogios. Mas de uma eficiência em se tratando de doação que destoa aos olhos de quem não a conhece.

É capaz de corar quando convidada a puxar os trens de dança ou coreografias em festas sociais ou simplesmente recebendo um presente. Contudo, sua expressão séria e serena toma conta quando o assunto é responsabilidade, seja nos preparativos de um enterro ou nas tarefas profissionais. Sua perícia em resolver algo de complexidade maior faz com que sempre tome atitudes enquanto todos param. Mesmo que só possa chorar mais tarde, tipo um dia ou dez anos depois. É como se a obrigação fosse uma tarefa intransferível.

Quanto aos sentimentos, sempre acreditou em amores românticos, mas teve uma educação voltada para combater a sociedade machista. E fica perdida entre as desilusões que já teve e as esperanças no Eros. Sente que precisa ser forte. Não depende de homens ou mulheres. Mas um puxão na cintura ou encostar na parede é capaz de despertar toda intensidade de seus desejos femininos. Aliás, só uma alfa seria capaz de explicar o prazer sexual como um componente básico de sua vida e de seus relacionamentos. Ela não admite nada menos que sua satisfação, no melhor presente que a revolução sexual lhe deu através do livre-arbítrio.

Sente-se viva através de suas ligações. É capaz de ser responsável por vários membros da família, conhecer dramas de muitas amigas e amigos (sim, elas geralmente têm mais amigos homens) e ainda ser a chefe confidente no ambiente de trabalho. Talvez nada identifique melhor sua altivez que os laços que mantém. É uma relação com o mundo externo que ela interioriza, pois volta e meia a vemos tomando as dores dos outros. Uma ofensa a um bem querer dela desperta a ira que vai até o ômega em se tratando de proteção. Não a provoque.

Nessa caminhada, cruzamos com muitas mulheres assim. E nada pode ser melhor do que estar na companhia de uma fêmea alfa. Os meninos primeiro se encantam depois a teme. Os homens a desejam, mas ainda se perdem em compreender práticas de convívio. Na verdade, ela mesma sabe o quanto é difícil enfrentar as mudanças que ela ajudou a produzir numa sociedade que ainda se mantém machista. Uma sociedade que ama suas mulheres e afirma que valoriza a feminilidade pós-moderna, mas que a trata como uma mutação histórica. Um ser que subverte a lógica de papéis sociais e consegue ser muitas em uma só. Uma sociedade que não consegue perceber que uma mulher de verdade não se faz com gestos firmes e opiniões sinceras apenas, isso é urgência social, adaptação evolutiva. O que faz de uma mulher a estrela principal de uma constelação é ter um coração como princípio, meio e fim. Uma essência marcada por ser alfa na arte de sorrir, amar e ter fé.


Comentários


Cadastre-se

  • Instagram ícone social
  • facebook

©2018 by nós e palavras. Proudly created with Wix.com

bottom of page