O drible - Sérgio Rodrigues
- Jimi Aislan
- 29 de out. de 2018
- 2 min de leitura

Ano e país de publicação: 2013/Brasil
Editora: Cia das Letras
Enredo: Desenganado pelos médicos, um cronista esportivo de oitenta anos, testemunha dos anos dourados do futebol brasileiro, tenta se reaproximar do filho com quem brigou há um quarto de século. Toda semana, em pescarias dominicais, Murilo Filho preenche com saborosas histórias dos craques do passado o abismo que o separa de Neto. Revisor de livros de autoajuda, Neto leva uma vida medíocre colecionando quinquilharias dos anos 1970 e conquistando moças que trabalham no comércio perto de sua casa, no bairro carioca da Gávea.
Personagens: Murilo Filho; Neto; Peralvo; Elvira, Uiara.
Resenha
Narrativa paralela em que os capítulos vão ladeando a história de Murilo, um cronista esportivo saído do interior, Merequendu, para o Rio de Janeiro; Neto, filho de Murilo, revisor literário; e Peralvo, um craque que não jogou a Copa de 1970. A trama traz como enredo a relação conturbada entre pai e filho, sobre um pano de fundo que desnuda o Brasil e sua relação com o futebol. Por ser cronista esportivo, o personagem Murilo faz um paralelo entre a formação do Brasil como nação a partir das conquistas da Copa do Mundo de 1958, 1962 e 1970. Nesse trajeto histórico, Rodrigues vai nos mostrando como o preconceito velado (e por vezes explícito) sempre fez parte da nossa sociedade, sobretudo no futebol. Projeções pessoais e afetos negados são tópicos das conversas entre pai e filho. O primeiro, vale-se da condição de doente para pedir a aproximação de um filho que sempre quis longe; o segundo, aproxima-se numa réstia de esperança de ter algum amor do pai. A metáfora do gol que Pelé não fez, abre o livro e o fecha de maneira sensacional, pois o leitor é driblado pela sucessão dos acontecimentos, numa reviravolta típica de romances policiais.

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